12 janeiro 2011

Ninfas


Tanto se foram, Ninfa, costumando
Meus olhos a chorar tua dureza,
Que vão passando já por natureza
O que por acidente iam passando.

No que ao sono se deve estou velando,
E venho a velar só minha tristeza;
O choro não abranda esta aspereza,
E meus olhos estão sempre chorando.

Assim, de dor em dor, de mágoa em mágoa,
Consumindo-se vão inutilmente,
E esta vida também vão consumindo.

Sobre o fogo de amor inútil água !
Pois eu em choro estou continuamente,
E do que vou chorando te vais rindo,

Assim nova corrente
Levas de choro em foro;
Porque de ver-te rir, de novo choro.
*(Camões)
(Imagens: O mar nas "minhas"dunas)

1 comentário:

Lyn disse...

MAR INSANO


o mar
é armadilha
que liquida sonhos
em suas líquidas trilhas

o mar
é martírio
que agoniza ilhas
em distâncias de milhas

o mar
é mortalha
que malha no sal
ânsias de maravilhas

o mar
é metralha
que crava na pele
as espumas de suas balas

o mar
é armadura
que cospe na cara
as águas da loucura
.
.
JOSÉ ANTÔNIO CAVALCANTI