-que dor de vergonha!-
levou-me pela mão
para o seu baluarte
e disse-me: «sonha!
O sonho é a tua lei!»
E eu para ali fiquei,
tão farto de ser eu,
a ouvir o meu coração
bater em toda a parte,
nos astros do chão,
nas pedras do céu.
E eu para ali fiquei
a arrancar a carne com as unhas,
a viver sem testemunhas
no espelho de mim.
E eu para ali fiquei
com o mundo a obedecer aos meus caprichos:
a luz, as flores, os bichos
e o sol enforcado na floresta,
na alucinação
duma corda de lava
a baloiçar ao vento da minha alma à solta...
E eu para ali fiquei
-pobre de mim que ignorava
a dor da verdadeira solidão
que é esta! que é esta!...
Muita gente à minha volta
e eu aos tombos pelas ruas,
longe de todos e de mim,
a morrer pelos outros
em barricadas de estrelas e de luas.














