23 junho 2008

Haja o que houver !

-Condenado-

Não me falem de fé !

Eu não preciso de fé !

Basta-me morrer de frente

nesta camaradagem

com todos os mortos de mãos dadas

que desde o príncipio do mundo

não quiseram morrer inutilmente ...

Fé ? Fé ?

Eu não preciso de fé !

Basta-me morrer de pé

de frente para o sol nascente.

22 junho 2008

Faluas do Tejo (*)

(*) Veleiros do rio Tejo.

Faluas ... vaga lembrança

que eu de criança

guardei para mim.

Se as vejo ainda,

às vezes no Tejo,

devido á alegria

do tempo em que as via

no rio a passar.

Faluas do Tejo,

que eu via a brincar,

e agora não vejo,

no rio a passar.

Faluas vadias,

que andavam ali,

em tardes perdidas,

que eu nunca esqueci.

E era tanta a beleza,

que essas velas ao sol

vinham criar ...

belo quadro da infância.

que ainda não se apagou,

e eu tenho a certeza,

que as faluas do Tejo

hão-de voltar ...

outra vez a Lisboa !

(Um dia parti ... para muito longe ! Pensei que nunca mais voltaria a ver Lisboa ... a cidade das sete colinas ! Um dia regressei... e, ... voltei a ver os meus veleiros no rio Tejo.)

21 junho 2008

Guitarra.

(*) 'Guitarra'

Quando uma guitarra trina

Nas mãos de um bom tocador

A própria guitarra ensina

A cantar seja quem for .

(bis)

Eu quero que o meu caixão

Tenha uma forma bizarra

A forma de um coração

A forma de uma guitarra.

...

Guitarra, guitarra querida

Eu venho chorar contigo

Sinto mais uma batida

Quando tu choras comigo.

(bis)

(*)

Poema do amigo Zeca, simples e imenso de sentimento... (Poeta,trovador,cantor e prof. universitário).

Morreu jovem, cantando contra os tiranos do meu país ! Contra a tirania ...a suas armas eram a poesia e as suas belas canções. O meu 'Che' da poesia !

20 junho 2008

Ainda !

Perto da imensidão das árvores

sob o mundo, junto às estrelas

olho com orgulho para o céu .

Sinto que pertenço ao universo.

A minha carne é de terra ;

Os meus olhos são de terra ;

Minha alma, pássaro sem corpo...

Mas , quando estou junto a ti ,

no meio de flores de papel

perfumadas com música,

sinto-me tímido e infeliz,

a tropeçar no corpo inútil.

E apetece-me não viver,

apenas sómente existir .

Ser uma coisa qualquer,

esquecida , e ... por criar .

19 junho 2008

Concerto n.1-2nd

Aromas.


Quando estás ao pé de mim,
cerro os olhos
para te imaginar
na extensão dum lago límpido,
onde os riscos das flores
enfeitam a cólera crispada
de existires sem corpo ...
Ah ! Estou farto de suor mental !
E tu cheiravas tão bem ...
a pele natural !

18 junho 2008

Nocturne op.66

Vento !


(*)
Uma voz chamou por mim.
Voltei-me.
Não era ninguém.
Ou talvez fosse aquela pedra com o sonho dentro
tão pisada na carne de a ouvir gemer sempre.
Ou a nuvem azul da tua imagem
deitada na sombra a dormir a meus pés.
Ou tu talvez dentro de mim
a querer-me arrastar para a dimensão
do outro céu subterrãneo
com estrelas negras debaixo do chão.
Ouvi o teu nome.
Voltei-me.
Não era ninguém.
(Eras tu.)
O vento acariciou-me.
(*) Thanks Pamela, for your pretty painting !

16 junho 2008

O pecado original ?


Dois braços muito inexactos,
romperam das pedras do caminho,
com um punhal nos seus dedos.
Estou a sonhar, eu bem sei !
Mas, se não houvesse sonhos assim,
não haveriam no ar as borboletas .
- tempo de flores dementes.
O problema estava em matar,
e seguir com olhos inocentes .

13 junho 2008

Fragmentos da vida!

Muito jovem, cheio de alegria,
Eu não era homem de ciência.
Só vivia...vivia para a alegria,
Não era necessário paciência.

Queriam um homem forte ,
Robusto, com bom coração.
Não podia perder meu norte,
Nem para viver da emoção.

Só precisava de muita calma,
Não precisava dos alimentos.
Bastava não perder a alma.
Para quê os sentimentos!!!

Ouço lamentos de amigos meus,
Vejo o sangue nas minhas mãos .
Porquê isto, comigo, meu Deus !
Isto é sangue dos meus irmãos.

Caminhava por vales e montes,
Sem a vida ... e nada de emoção.
Falar !!! Falar só para as pontes,
Então, para queria meu coração!

Não entenderam os meus lamentos,
Roubaram-me muita vida, emoção.
Tiraram-me os meus sentimentos,
Não me roubaram o meu coração.

Grito ! Sofro! Tenho muitas dores,
Tenho o sangue nas minhas mãos.
Por aqui morrem muitos amores!
MÃE!!! É sangue dos meus irmãos.

a.t.

11 junho 2008

Primavera!

Quem foi o arquitecto
que construiu este café !?
Tão longe! Longe da natureza
e com tantos homens de pé !
Criado: põe esta gente na rua!
Abre um buraco lá no tecto
que eu preciso de ver a Lua.
(Viva a anarquia da primavera!)

06 junho 2008

Olhos de Deus.
























Quando vi os teus olhos,
vi que eram os olhos
que eu tinha imaginado,
fiquei contente
por eles existirem,
e por eu os ter criado...

Quando vi os teus olhos,
olhos que são meus,
porque eu os criei,
eu vi que os meus
inertes ficaram ,
em suma : CEGUEI !

Mas não desespero ,
continuo a ver
com a luz dos teus olhos,
e, assim nós os dois
o mesmo veremos,
para nos perdermos.

E, se cegarem os teus,
nem tu nem eu veremos,
mas, mesmo assim
unidos seguiremos
os mesmos passos
pelos olhos de Deus !

05 junho 2008

A ilha.

Finalmente,
desembarquei na minha ilha.
- DORMIR -
Não imitar as pedras,
mas sim acordá-las ,
senti-las neve e nuvens
na solidão sólida do cio.
Para a reprodução das pedras,
sexo é o frio .

02 junho 2008

Intimidades.


Como ela era diferente
de toda a gente !
Falava por falar
andava por andar
vivia por viver,
não amava por amar...
È que ela amou alguém
que a morte amou também.
E por isso era diferente
de toda a gente .
Falava por falar
andava por andar
vivia por viver
olhava por olhar ,
mas não amou por amar...

01 junho 2008

Erro na sina.


Mostra a palma da tua mão tão fina
no desejo de saber o teu futuro
à pobre cigana que anda a ler a sina
e que ignora que só teu amor procuro!
Medita bem e não sejas tão insana .
Será que acreditas mais nessa cigana
do que em meu amor sincero e leal ?
Ninguém mais sabe o futuro senão Deus,
lê pois em meus olhos que eu leio nos teus
e verás então que a cigana leu mal.